Pequeno comentário bíblico (Gn 30-32)

Leia Gênesis 30-32.
Gn 30 começa com a repetição das histórias que fizeram parte da vida do pai e do avô de Jacó. A esposa amada por ele, Raquel, também era estéril. E ela, como Sara, ofereceu sua serva para engravidar de seu marido e, com isso, fazer do filho dela o seu próprio.

Alguém que leia a Bíblia inadvertidamente poderia concluir que Deus autoriza um homem ter várias mulheres, ou, vários filhos com várias mulheres. É isso que a história da Abraão, Isaque e Jacó nos apresenta: três homens, pai, filho e neto, tendo filhos com sua própria esposa além de filhos com várias outras mulheres.

Seu exemplo deve ser seguido por nós? Estaria Deus aqui nos apresentando um modelo perfeito de relações? Estaria Deus, ao menos, permitindo a poligamia? É óbvio que não. Qualquer leitor honesto (e com dois neurônios funcionando) sabe que a apresentação destes fatos tem mais a ver com a transparência da narrativa do que com a beleza da história.

Ou seja, nestas histórias, conhecemos os patriarcas, homens escolhidos por Deus, homens que andaram perto de Deus, que mantiveram comunhão com Deus, e que falharam de um modo absurdo. Mas, onde estão as falhas deles? Eis algumas: desconfiança de que Deus cumpriria Sua promessa (por isso, “dar um jeito” para que a promessa se cumprisse), afobação ou falta de paciência (querer as coisas no tempo deles e não no tempo do Senhor, adultério (Deus disse desde o início que o um homem com uma mulher seriam uma só carne, e que a união de um homem com uma mulher espelharia Sua imagem e semelhança. A imagem e semelhança de Deus não se espelha em um homem com várias mulheres tendo filhos com várias delas), etc.

Então, Deus está nos contando que aqueles homens não foram perfeitos, e que Sua graça e fidelidade vão além de nossas rebeldias. Ele é infinitamente bom e gracioso. Infinitamente paciente. Como disse Paulo a Timóteo, ainda que sejamos infiéis, Ele permanece fiel pois não pode negar a Si mesmo, ou seja, o que Ele é (2Tm 2.13).

Cada um deles (Abraão, Isaque e Jacó) colheram as consequências de sua desobediência. Sofreram ao ver filhos matando ou desejando a morte um do outro, vendo a rejeição entre filhos e mulheres, dentre outras coisas. Suas vidas não foram um “mar de rosas”. Pelo contrário! Eles sofreram muito com as consequências de não terem paciência para esperar a promessa de Deus no tempo de Deus com a pessoa correta!

Após o nascimento de José, filho de Jacó com Raquel, Gn 30 termina falando de um trato entre Jacó e seu sogro. Gn 31 começa com o Senhor dizendo a Jacó que deveria voltar à sua terra. Ao chamar suas esposas e filhos, informou que o motivo da viagem seria a forma não mais tão amistosa de Labão e seus filhos para com ele. Enquanto pegava tudo o que era seu e se preparava para fugir para a região montanhosa de Gileade, Raquel roubou um dos deuses da casa de seu pai e escondeu no meio de suas coisas.

Quando Labão, três dias depois, descobriu a fuga, reúne um grupo e vai atrás de Jacó. Depois de sete dias, alcançou Jacó nas montanhas de Gileade. É impressionante o cuidado de Deus sobre Jacó. Antes que Labão fosse até ele, Deus vai a Labão e, em um sonho, lhe ordena não fazer nenhum mal a Jacó e os seus. De fato, o cuidado de Deus é maior do que merecemos! Gn 31 termina com um novo acordo entre Jacó e Labão, após grande discussão entre os dois.

Em Gn 32, a presença maravilhosa de Deus continua a se revelar a Jacó. Em um lugar que ele chamou de Maanaim, pode avistar alguns anjos do Senhor que foram ao seu encontro. Após esse momento, Jacó enviou mensageiros a seu irmão Esaú, com quem se encontraria em breve. Jacó temia que seu irmão viesse até ele com centenas de homens para matá-lo finalmente. Quando os mensageiros voltaram, trouxeram a notícia que de que Esaú estava vindo ao seu encontro, com quatrocentos homens. Imagine o medo no coração de Jacó. Diante disso, resolveu dividir seu grupo em duas partes a fim de que, se uma fosse dizimada, a outra sobrevivesse.

Após realizar essa divisão, retira-se para orar. Sua oração foi de lembrança da aliança entre Deus e sua família. Após orar, dormiu. Quando acordou, separou boa parte do que possuía para dar de presente ao seu irmão. Decidiu mandar vários grupos de mensageiros para Esaú. Com cada grupo, muitos presentes para acalmar a ira de seu irmão.

Quando anoiteceu, Jacó atravessou a região do rio Jaboque. Ao atravessar o próprio rio, esperou que tudo o que estava com ele atravessasse também, ficando ele por último. Ao ficar sozinho, apareceu o famoso homem com quem Jacó lutou até o amanhecer. Este ser pessoal contra o qual Jacó lutou era, sem dúvida, um ser divino, não humano, sob uma forma física, humana, corpórea.

As razões para essa luta são, no todo, incompreensíveis. O por quê do “Anjo” querer tanto ir embora, o por quê do próprio YaHWeH (como o próprio texto parece afirmar) lutar com ele, dentre outras, são difíceis de precisar (embora existam inúmeras possíveis explicações). O certo é que, quando Jacó percebeu que o “homem” contra o qual lutava não era apenas um homem, passou a pedir-lhe que o abençoasse e insistiu nisso.

Gn 32 termina com mudanças de nome. Jacó passa a ser Israel, por que “lutou com Deus”, e o vale do Jaboque passa a ser Peniel, por que ali Israel viu “a face de Deus”. Mudanças de nomes sempre marcavam momentos, lugares, pessoas e histórias. Mais uma vez, vemos o Senhor lhe confirmando que nunca o deixaria. Em um momento de medo, Jacó experimenta a certeza de que Aquele que lhe prometeu estaria o tempo todo ao lado dele.

Fonte: http://www.wilsonporte.org/site/pequeno-comentario-biblico-gn-30-32/

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